Entrevista Jozailto Lima

Renato Correia: “O Brasil é tolerante com a falta de pagamento do poder público”
►Foto de abertura: Diego Bressani
“Mais de 50% das obras públicas estão paralisadas por causa da contratação por menor preço”
16/8/2025-19h
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção – Cbic – é uma instituição que acumula quase 70 anos de história a adensa na sua base um setor essencial para a vida de qualquer Estado e de qualquer nação.
Para começo de conversa, não há nação sem infraestrutura e não há infraestrutura sem o dedo poderoso da indústria da construção civil. Ela faz surgir na paisagem das cidades, dos Estados, dos países tudo que importa às civilizações. E faz remodelar.
Mas mesmo com este papel, a indústria da construção civil simboliza apenas 3,5% do Produto Interno Bruto – PIB – brasileiro, que é a soma de todas riquezas da nação.
E esses “apenas 3,5%” são indicativos de que alguma coisa está errada. De que algo cepa essa a atividade a um solo ruim, dificultoso no horizonte de quem a empreenda e precisa nela avançar.
A vantagem é que esta atividade sabe das suas dificuldades, das suas capacidades, de sua alta significação e de onde devem vir as mudanças que a destravem. A vantagem, em síntese, é que ela não é passiva.
Entre tantas entidades associativas deste setor, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção levanta crachás seguros, sérios e dizedores em alta voz do que espera para ele.
“O nosso objetivo é atuar melhorando, nacionalmente, o ambiente de negócios para a construção civil, de forma que a gente possa dobrar a participação da construção no PIB do Brasil”, define o engenheiro civil, empresário e presidente da Cbic, Renato Correia, 60 anos.
Renato Correia está longe de ser um pessimista frente às possibilidades da indústria da construção civil. Mas também não fecha os olhos para as demandas e carências reais e nem para a necessidade de que o setor seja tratado com modos mais justos e republicanos, sobretudo pela esfera pública.
A começar pela justeza de preço e de pagamento advindos de licitações mais técnicas. Na contramão do que regula o mercado público hoje, a Cbic e Renato Correia estão alinhadíssimos com a tese de que o que vale é o preço melhor no lugar do menor nas licitações.
“O melhor preço é o que conta, porque você vai aliar valor à qualidade, à técnica construtiva e à durabilidade do seu bem. No sistema de compras brasileiro, existe uma lei única para comprar um celular, um copo e um prédio. É isso que nós questionamos. São coisas muito diferentes e que pedem tratamentos diferentes”, diz ele.
Esta semana, Renato Correia esteve em Aracaju para a participação da 7ª edição do Diálogos Regionais Cbic-Caixa – Infraestrutura, evento em parceria entre a Cbic, Aseopp e a Caixa. Durante um dos intervalos, ele manteve uma boa conversa com o Portal JLPolítica & Negócio para esta Entrevista Domingueira.
Nela, Renato falou de um quase tudo. E sobretudo, de algumas intolerâncias às quais seu setor é involuntariamente submetido. “O Brasil, muitas vezes, é tolerante com a falta de pagamento do poder público – e isso não é bom para quem empreende do lado de cá. Na nossa visão, o líder maior – prefeito, governador, contratante público -, tem que dar o exemplo de pagar em dia. Lamentavelmente, muitas vezes, isso não acontece”, disse.
Também tocou sem reservas num ponto nervoso desta atividade na área de incorporação imobiliária, que são as chamadas Associações Pró-Construção. “O que a Cbic defende pro mercado imobiliário é a obediência à Lei das Incorporações do setor”, diz.
“Então, toda e qualquer empresa, entidade ou pessoa física que quiser trabalhar nesse mercado deve necessariamente fazer o Registro da Incorporação Imobiliária em cartório para que possa fazer a veiculação de propaganda e possa assim vender as unidades na planta”, reforçou.
Renato de Sousa Correia nasceu no dia 1º de julho de 1965 em Goiânia, Goiás. Ele é casado com Adriana Vitória Santana Augusto Correia e é pai de Matheus Augusto Correia, 34, e de Gabriel Augusto Correia, 31.
Renato Correia com o presidente Lula na abertura do 99º Encontro Nacional da Indústria da Construção – ENIC – em Brasília
Renato Correia com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad: “Portas abertas para dialogar com os Ministérios das Cidades, da Fazenda, da Indústria e Comércio e com o Congresso”
Renato Correia é engenheiro Civil formado pela Universidade Federal de Goiás em 1988. Mas, empreendedor, desde 1986, aos 21 anos, pilota em Brasília a Vega Construtora e Incorporações, com a qual entrega mil imóveis por ano.
“Na habitação, o déficit de moradia no Brasil é algo entre 6 e 7 milhões de habitações. Transformando isso em valores reais, equivaleria a uma necessidade de aplicação de R$ 100 bilhões durante 10 anos adicionalmente ao que já é feito no país”, avisa.
A Entrevista com Renato Correia vale o bilhete da leitura. Avance.
Renato Correia, Carlos Eduardo Lima Jorge, vice-presidente da Cbic, e Luciano Barreto: convergência de pensamento em temas como preços justos e combate às Associações Pró-Construção
JLPolítica & Negócio – Qual é a duração da seu mandato?
RC – São três anos. Mas tenho direito à reeleição. Ou seja: a mais três anos.JLPolítica & Negócio – O senhor tem uma agenda forte no Brasil. O senhor sai muito da base da Cbic, que é em Brasília?
RC – Viajo muito para conversar com os nossos associados.JLPolítica & Negócio – O Estado de Sergipe tem quantos sindicatos associados?
RC – São três: a Aseopp, a Ademi-SE e o Sinduscon.
Renato Correia durante entrevista com o jornalista Jozailto Lima: posições seguras
DA CONFIGURAÇÃO DA CBIC
“A Câmara Brasileira da Indústria da Construção tem 68 anos e é uma entidade já madura, sólida nos processos internos e na sua equipe. Ela é constituída por 98 sindicatos e associações, com representação em todos os Estados brasileiros e no Distrito Federal”JLPolítica & Negócio – Ela tem orçamento próprio, consegue manter-se ou vive uma realidade apertada?
RC – A Cbic tem meios próprios para não depender do Governo. São as entidades que contribuem com mensalidades. Nós temos convênios com a CNI, com o Sesi e o SenaiJLPolítica & Negócio – Qual é o itinerário da sua gestão? O senhor planeja o quê pela Cbic?
RC – A gente planeja aumentar a participação do PIB da construção civil no PIB geral do Brasil. Já conseguimos uma boa etapa com a questão do FGTS e também com a melhoria do investimento em infraestrutura.JLPolítica & Negócio – Qual é o percentual do PIB da construção civil na composição do PIB Brasil hoje?
RC – É de aproximadamente 3,5% e consideramos esse índice muito baixo se comparado com os países emergentes.
Renato Correia recepcionado em Aracaju por Luciano Barreto, presidente da Aseopp, e demais figuras do mercado e da Caixa
DA AUTONOMIA DA CBIC
“A Cbic tem meios próprios para não depender do Governo. São as entidades que contribuem com mensalidades. Nós temos convênios com a CNI, com a FIEC e com o Sebrae”JLPolítica & Negócio – Qual é o objetivo do setor?
RC – É dobrar. Mas por que dobrar a participação? Quando a gente fala de construção civil, estamos falando de abastecer a nossa sociedade, que é um mercado praticamente interno brasileiro, de habitação e de infraestrutura. São dois eixos. Então, quando falamos em dobrar o mercado, estamos falando em ofertar mais habitação e mais infraestrutura ao país.JLPolítica & Negócio – Por falar nisso, como estão a habitação, o saneamento e a infraestrutura no Brasil sob a perspectiva da Cbic?
RC – Não estão bem. Na habitação, o déficit de moradia no Brasil é algo entre 6 e 7 milhões de habitações. Transformando isso em valores reais, equivaleria a uma necessidade de aplicação de R$ 100 bilhões durante 10 anos adicionalmente ao que já é feito no país.JLPolítica & Negócio – Lógico que não é algo a ser saneado por um governo só!
RC – Nem dois. E é algo da sociedade como um todo. É um projeto que a sociedade precisa se apropriar. Quando olhamos para a infraestrutura, a necessidade é de R$ 500 bilhões durante 10 anos para que a gente coloque a infraestrutura do país no patamar que ele precisa. Quando falo de infraestrutura é de água, esgoto, energia, comunicação, rodovias e ferrovias.
Renato Correia num evento com fornecedores do setor da construção no Estado de Goiás, onde apresentou o cenário da atividade e o trabalho da Cbic
NECESSIDADE DE DOBRAR O PESO NO PIB
“(Peso da construção no PIB) é de aproximadamente 3,5% e consideramos esse índice muito baixo se comparado com os países emergentes. Mas por que dobrar? Quando a gente fala de construção civil, estamos falando de abastecer a nossa sociedade, de habitação e de infraestrutura”
JLPolítica & Negócio – É grave o problema de saneamento no Brasil?
RC – Bastante grave ainda. Nós temos 30 milhões de pessoas sem água tratada e quase 100 milhões sem coleta e tratamento de esgoto. E, a propósito, eu queria voltar um pouco a esses dois temas. Eu falei dos R$ 500 bilhões, mas é importante dizer que, há 10 anos, o investimento era de R$ 150 bilhões e que desses R$ 150 bilhões, mais da metade vinha do poder público. E hoje, em 2025, estamos investindo R$ 280 bilhões, com apenas R$ 70 bilhões vindos do poder público. Ou seja, 210 bilhões do setor particular.JLPolítica & Negócio – E por que isso aconteceu e como aconteceu?
RC – Aconteceu com a mudança dos marcos legais: o marco do saneamento, o marco das garantias de crédito, as debêntures incentivadas – tudo isso somado. E também com a conscientização de que o dinheiro do Estado brasileiro não é suficiente para fazer frente a esses números que eu coloquei aqui.JLPolítica & Negócio – Mas não é, ao mesmo tempo, a concepção da Cbic de que esse papel é do Estado e não da instituição privada?
RC – Não. O papel de indutor, na verdade, não é exclusivo do Estado. Mais importante do que o papel é o que se produz para a empresa e para a sociedade.
Renato Correia recebendo homenagem com o presidente da Caixa, Carlos Vieira
DAS CARÊNCIAS HABITACIONAIS DO BRASIL
“Na habitação, o déficit de moradia é algo de entre 6 e 7 milhões de habitações. Transformando isso em valores reais, equivaleria a uma necessidade de aplicação de R$ 100 bilhões durante 10 anos adicionalmente ao que já é feito no país”JLPolítica & Negócio – No pós-Lava Jato, as empresas brasileiras da construção já se recompuseram?
RC –Ainda não, sobretudo aquelas grandes empresas que faziam obras até fora do país. E acho que o modelo que está acontecendo agora é um pouco diferente. Com esses marcos regulatórios, abriu-se uma possibilidade de mais players participarem, inclusive com um perfil internacional entre nós. Há fundos canadenses, por exemplo atuando aqui. Isso passa a ser um investimento atrativo, e quem ganha no final das contas é quem recebe o serviço. Ou seja, a população brasileira.JLPolítica & Negócio – Mas o Brasil estaria reconstruindo empresas pequenas para elevá-las a grandes, e gestando novos parceiros para tocar a necessidade da infraestrutura?
RC –O Brasil tem uma capacidade grande de ter empresas que resolvam o problema. Essas empresas estão se reorganizando e se reconstruindo, mas isso é lógico que isso leva tempo. Não temos dados internos dessas empresas.JLPolítica & Negócio – Mas, especificamente, na esfera imobiliário…
RC – O que posso afirmar é que a capacidade no setor imobiliário, por exemplo, está boa. Em 2023 foram aplicados R$ 70 bilhões do FGTS e no final de 2024 esse valor chegou a R$ 127 bilhões, quase dobrando. As empresas conseguiram se adaptar e aplicar. Então, mais importante do que se preocupar com o tamanho e o tipo da empresa é garantir que o processo seja seguro, maduro e eficaz.
Renato Correia na abertura da cerimônia de entrega do Prêmio Cbic de Inovação, em Brasília
A ALTA SEDE DO SANEAMENTO NO BRASIL
“Nós temos 30 milhões de pessoas sem água tratada e quase 100 milhões sem coleta e tratamento de esgoto. Há 10 anos, o investimento era de R$ 150 bilhões e que desses R$ 150 bilhões, mais da metade vinha do poder público. Em 2025, estamos investindo R$ 280 bilhões, com apenas R$ 70 bilhões vindos do poder público”JLPolítica & Negócio – Sobre essa questão, o senhor acha que o Governo do Brasil estaria fazendo bem o seu papel com o Programa Minha Casa, Minha Vida?
RC – Sim, acho. Conseguimos aí evoluções importantes. O setor, junto com o Governo, participa com sugestões. Primeiro, dobrou-se o orçamento – e isso é afirmativo. Depois, criou-se a Faixa 4, com recursos do pré-sal – lembrando que habitação é um direito constitucional, sem reserva orçamentária. Quando você tem soluções alternativas como o FGTS ou o pré-sal, que é dinheiro público, diferente do FGTS, começamos a fazer justiça em relação a esse tipo de demanda da sociedade e em relação à constituição.JLPolítica & Negócio – A Cbic considera que as demandas do Programa Minha Casa, Minha Vida estão atendidas igualmente por região ou há regiões sofrendo mais?
RC – No Minha Casa, Minha Vida, além da habitação, é preciso cuidar da infraestrutura de que já falamos aqui: água, esgoto, estradas e as próprias condições de abastecimento de comércio, material de construção e mão de obra. Eu diria que a região Norte é a mais penalizada em relação ao déficit, porque a distribuição do FGTS é pelo déficit habitacional. E quando você pega a região Norte, por exemplo, que tem um déficit habitacional X, ela não consegue aplicar a mesma proporcionalidade de recursos por conta da dificuldade operacional. Mas isso está sendo tratado. O ministro Jader Barbalho fez uma série de considerações com base em pesquisa que a Cbic promoveu na região para que seja mitigado esse problema.JLPolítica & Negócio – Qual é visão que a Cbic tem das práticas das Associações Pró-Construção no Brasil?
RC –O que a Cbic defende pro mercado imobiliário é a obediência à Lei das Incorporações do setor. Então, toda e qualquer empresa, entidade ou pessoa física que quiser trabalhar nesse mercado deve necessariamente fazer o Registro da Incorporação Imobiliária em cartório para que possa fazer a veiculação de propaganda e possa assim vender as unidades na planta. O que não pode é fazer venda de imóvel de entrega futura sem este devido Registro da Incorporação Imobiliária. Pronto: é vedado não seguir a Lei, e a Cbic defende, portanto, que todos sigam o que ela determina.
Renato Correia vai à abertura do Dia Nacional da Construção Social, mais importante evento de responsabilidade social da construção, focado no trabalhador
EMPRESAS NÃO SE RECOMPUSERAM NO PÓS-LAVA JATO
“Ainda não, sobretudo aquelas grandes empresas que faziam obras até fora do país. E acho que o modelo que está acontecendo agora é um pouco diferente. Com esses marcos regulatórios, abriu-se uma possibilidade de mais players participarem, inclusive com um perfil internacional entre nós”JLPolítica & Negócio – O que está errado no modelo da licitação de obras públicas no Brasil, presidente?
RC – Isso está muito claro no posicionamento da Cbic, em relação ao pregão eletrônico, por exemplo. Nós temos trabalhado insistentemente junto ao Congresso Nacional para que derrube o veto feito pela Presidência da República à Lei de Licitações, no que diz respeito a este requisito do pregão eletrônico.JLPolítica & Negócio – No que esse veto impacta?
RC – Em muito. Hoje, por exemplo, mais de 50% das obras públicas estão paralisadas em função de algum problema. E muitos desses problemas vêm da contratação por menor preço e através de uma indução a descontos exagerados, impraticáveis, que chegam, às vezes, a 30% ou 40% do valor.
Renato Correia em agenda com o ministro do Trabalho Luiz Marinho e parlamentares discutindo temas de interesse do setor da construção
ALGO DE POSITIVO NO MINHA CASA, MINHA VIDA
“Conseguimos aí evoluções importantes. O setor, junto com o Governo, participa com sugestões. Primeiro, dobrou-se o orçamento – e isso é afirmativo. Depois, criou-se a Faixa 4, com recursos do pré-sal – lembrando que habitação é um direito constitucional, sem reserva orçamentária”JLPolítica & Negócio – O menor preço não é uma garantia de qualidade de uma boa obra ou a de possibilidade de execução dela?
RC – Não, jamais. E eu faço a seguinte pergunta, aqui ao repórter, você: você contrataria uma empresa para construir a sua casa pelo menor preço ou pelo melhor preço?JLPolítica & Negócio – Seguramente pelo melhor preço.
RC – Pois é: pelo melhor preço é o que conta, porque você vai aliar valor à qualidade, à técnica construtiva e à durabilidade do seu bem. No sistema de compras brasileiro, existe uma lei única para comprar um celular, um copo e um prédio. É isso que nós questionamos. São coisas muito diferentes e que pedem tratamentos diferentes.
Renato Correia recebe o ministro Jader Filho na reunião do Conselho Administrativo da Cbic: a infraestrutura passa por aqui
UM BARATO QUE SAI CARO NA OBRA PÚBLICA
“Hoje, por exemplo, mais de 50% das obras públicas estão paralisadas em função de algum problema. E muitos desses problemas vêm da contratação por menor preço e através de uma indução a descontos exagerados, impraticáveis, que chegam, às vezes, a 30% ou 40% do valor”JLPolítica & Negócio – Mas a quem compete desatar esse nó: à iniciativa privada, à CBIC ou ao Governo Federal?
RC – Isso é uma iniciativa do Governo Federal. O Projeto de Lei de Licitação é uma iniciativa do Governo. O Governo é que precisa enviar ao Congresso um Projeto de Lei de Licitação diferenciado para que se possa trazer garantias de preços melhores para todos. No estágio em que estamos – deixa eu reformular – é preciso colocar os vetos para o Congresso, para decidir se mantém ou se derruba.JLPolítica & Negócio – Mas, especificamente, o que carece de resolução nessa seara?
RC – A lista tem dois pontos específicos que precisam ser resolvidos: o pregão eletrônico e o prazo para pagamento. O Brasil, muitas vezes, é tolerante com a falta de pagamento do poder público – e isso não é bom para quem empreende do lado de cá. Na nossa visão, o líder maior – prefeito, governador, contratante público -, tem que dar o exemplo de pagar em dia. Lamentavelmente, muitas vezes, isso não acontece. Ninguém necessita de precatórios.
Renato Correia com a ministra Marina Silva, em Baku, durante a COP 29: construção e meio ambiente andam juntos
O MENOR PREÇO É INIMIGO DA EFICÁCIA
“Pelo melhor preço é o que conta, porque você vai aliar valor à qualidade, à técnica construtiva e à durabilidade do seu bem. No sistema de compras brasileiro, existe uma lei única para comprar um celular, um copo e um prédio. É isso que nós questionamos”JLPolítica & Negócio – Qual é a interlocução entre a Cbic e o Governo Federal e suas instituições?
RC – Nós temos uma relação muito boa, construída ao longo desses 67 a 68 anos de história da entidade, pela credibilidade e pelas propostas concretas e objetivas que apresentamos. Temos portas abertas para dialogar com o Ministério das Cidades, o Ministério da Fazenda, o Ministério da Indústria e Comércio e com o Congresso Nacional.JLPolítica & Negócio – O que é o Brasil, diante do mundo desenvolvido, na indústria da construção civil? Estamos tecnologicamente em dia, mas sem boas leis?
RC – Nós temos uma boa tecnologia de construção e, com a reforma tributária, existe a possibilidade de alcançar efetivamente os níveis tecnológicos do primeiro mundo. A gente chama isso de construção 4.0: uma construção industrializada, com a maior parte dos seus componentes produzidos fora do canteiro de obras e montados no local, como boa parte dos demais ramos industriais.
Renato Correia em interlocução direta com o presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, durante evento da FPE
UMA ENTIDADE COM LIVRE TRÂNSITO
“Temos uma relação muito boa, construída ao longo desses 67 a 68 anos de história da entidade, pela credibilidade e pelas propostas concretas e objetivas que apresentamos. Temos portas abertas para dialogar com os Ministérios das Cidades, da Fazenda, da Indústria e Comércio e com o Congresso Nacional”JLPolítica & Negócio – Qual é o exemplo no mundo hoje dessa construção 4.0?
RC – Eu diria que a Europa, a América do Norte, China e Japão.JLPolítica & Negócio – No aspecto de mercado, na via financeira, há um gargalo que preocupa a indústria da construção civil?
RC – Há. Acho que precisamos tratar do maior problema do Brasil hoje, que é a taxa de juros. E não apenas a taxa em si, mas as suas origens. A taxa de juros é muito alta, o que impede o desenvolvimento da infraestrutura e da habitação. Hoje, comparando com 20 países emergentes, o que percebemos é que o endividamento público brasileiro é uma âncora que impede a queda desses juros.
Renato Correia com a vice-presidente de Habitação da Caixa, Inês Magalhães, em evento da cadeia produtiva da construção civil
PRAZOS ABSURDOS DOS PROJETOS HABITACIONAIS
“A média para aprovação de projetos habitacionais no país é de 18 meses para conseguir um alvará de construção. E a provocação paralela que faço a essa aprovação é: construímos em 18 meses, mas levamos antes outros 18 apenas com trâmites de papel. E você paga essa conta duas vezes: no preço do imóvel e nos juros”JLPolítica & Negócio – O que fazer então?
RC – A gente precisa melhorar a eficiência do Estado. Quando falamos de reforma administrativa, não é sobre fazer cortes, mas sobre aumentar a eficiência do Estado. Vou dar um exemplo concreto: a média para aprovação de projetos habitacionais no país é de 18 meses para conseguir um alvará de construção. E a provocação paralela que faço a essa aprovação é: nós construímos em 18 meses, mas levamos antes outros 18 apenas com trâmites de papel. E você paga essa conta duas vezes: no preço do imóvel e nos juros. Assim não se desenvolve o Brasil.JLPolítica & Negócio – Esses embargos americanos do tarifaço atingem a construção civil?
RC – Indiretamente, sim, porque dependemos muito de emprego, de salário e de um PIB melhor, e tudo isso pode ser alterado para pior com os embargos.
Renato Correia com o ministro Luiz Marinho e o vice-presidente Geraldo Alckmin, com quem discutiu ações focadas no trabalhador e projetos como o Nova Indústria Brasil
















